ASSOCIAÇÃO PORTUGAL-MOÇAMBIQUE
DA CULTURA ÀS CAUSAS HUMANITÁRIAS


Fundada em Outubro de 1998 com objectivos eminentemente culturais e de estreitamento dos laços de amizade entre os povos de ambosos países, a acção mais visível e meritória da Associação Portugal Moçambique foi, no entanto, de cariz humanitário.
Em pouco mais de três meses conseguiu mobilizar e reunir cerca de 100 toneladas de bens de primeira necessidade para as vítimas das cheias que assolaram Moçambique em Fevereiro passado.

Macedo Pinto, Sócio-fundador da APM


Sedeada no Porto, a Associação Portugal Moçambique tem pouco mais de ano e meio de existência, mas já conseguiu reunir consensos e atrair para as suas fileiras várias individualidades da sociedade civil portuguesa e da comunidade moçambicana residente em Portugal. Com pouco mais de 100 sócios e quotas praticamente simbólicas, as acções desenvolvidas pela instituição devem-se, sobretudo, à boa vontade e preserverança dos associados na promoção do conhecimento de Moçambique junto da sociedade civil portuguesa e do fomento das relações de amizade entre os dois países.
Até Fevereiro deste ano, as iniciativas da Associação foram eminentemente de ordem cultural, entre as quais se destacam as chamadas "Noites Moçambicanas", encontros que se realizam na última quinta-feira de cada mês no Clube Sportivo Nun'Álvares, no Porto. Nestes encontros, liderados por um orador convidado e de acesso livre, debatem--se os mais diversos temas relacionados com a realidade moçambicana, desde a política à história, passando pela formação de quadros e ensino, até aos aspectos económicos e sociais e aos problemas da comunidade moçambicana residente em Portugal.
Em Fevereiro, com as cheias que provocaram vítimas e prejuízos de valor incalculável em grande parte do território moçambicano, a Associação mobilizou todos os seus membros e, em conjunto com outras entidades que rapidamente aderiram à ideia, como a Câmara de Comércio Portugal Moçambique, os núcleos de Coimbra e do Porto da Associação de Estudantes Moçambicanos em Portugal, bem como o Governo Civil do Porto, bombeiros e GNR de Coimbra, entre muitas outras, lançou uma grande campanha de solidariedade para com o povo moçambicano.
Esta campanha foi também promovida em colaboração com a Profamília e a Cruz Vermelha de Moçambique, as duas instituições que se encarregaram de fazer chegar os donativos em bens e dinheiro às organizações com quem trabalham e que dão apoio directo às vítimas das cheias.
"Até ao momento já seguiram 4 contentores para Moçambique. O quinto deve estar a chegar e o sexto chegará até ao final de Junho. São cerca de 100 toneladas de bens de primeira necessidade, como alimentos, água, medicamentos, tendas de campanha, mantas, instrumentos agrícolas, entre muitos outros, e têm estado a ser entregues de forma equitativa às duas instituições com que estamos a colaborar, a Profamília e a Cruz Vermelha de Moçambique. Entregámos também dinheiro, resultante de donativos de pessoas singulares e de empresas no valor de 5000 contos", explica Macedo Pinto, sócio-fundador e um dos membros da Direcção da Associação. "Gostaria também de salientar a rápida e pronta mobilização de todas as pessoas individuais, entidades e empresas que estão a colaborar connosco, que de facto têm sido incansáveis, assim como a colaboração das empresas transitárias, que tem estado a custear o transporte dos contentores para Moçambique", acrescenta.
A campanha deverá manter-se até final do ano, pelo que as empresas e cidadãos poderão continuar a contribuir com donativos em dinheiro ou em espécie.


Manuela Sousa Guerreiro / Cristina Casaleiro